
HISTÓRICO:
A criação da APA Municipal do Capivari-Monos foi fruto de um processo conjunto entre técnicos da Prefeitura do Município de São Paulo e da população da região, expressa em diversos relatórios produzidos no âmbito da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente. Mas foi a partir da elaboração do documento intitulado “Política Municipal para a Área de Proteção aos Mananciais”(1993), que a idéia se formalizou, pois o documento sintetizava propostas de várias Secretarias Municipais e fazia uma série de recomendações, entre elas, a criação de uma “Reserva Florestal e Ambiental” na bacia hidrográfica do Capivari-Monos.
- A denominação da APA Capivari-Monos tem sua origem ligada aos dois rios, ainda bem limpos, de águas cristalinas, localizados no sul do município de São Paulo. São considerados mananciais estratégicos para o futuro, visando o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo.
O Rio dos Monos é o principal afluente do Capivari e a bacia é conhecida por Capivari-Monos. Atualmente, não se tem mais registro na região da presença do macaco mono-carvoeiro, também conhecido como Muriqui (Brachyteles arachnoides). Os antigos moradores dizem que o nome do rio foi dado pela existência naquela área, tempos atrás, desta espécie de primata.
Os rios são cristalinos e encachoeirados, cercado de matas, mas que por sua vez estão sendo cada vez mais ameaçados pela expansão desordenada da cidade. Vários loteamentos clandestinos e moradias sem infra-estrutura estão se instalando na área.
CARACTERIZAÇÃO DA APA CAPIVARI MONOS:
Com uma área de 251 km², equivalente a um sexto do território da cidade, a primeira APA Municipal, localiza-se no extremo Sul de São Paulo capital, na área de Proteção aos Mananciais, abrangendo 75% do território da Subprefeitura de Parelheiros. Além disso, integra as Reservas da Biosfera da Mata Atlântica e do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo.
A APA limita-se a Norte pelo divisor de águas do ribeirão Vermelho (bacia Guarapiranga) e pelo limite da Área Natural Tombada de Cratera de Colônia (bacia Billings), a Leste com o município de São Bernardo do Campo, a Oeste com os municípios de Embú-Guaçu e Juquitiba e a Sul com o município de Itanhaém e São Vicente.
Abriga significativos remanescentes de Mata Atlântica (Floresta Ombrófila Densa), responsáveis pela proteção das cabeceiras dos principais cursos d’água que abastecem a região metropolitana de São Paulo. Na APA existem porções de três Bacias Hidrográficas: Guarapiranga, Billings e a integridade da bacia hidrográfica do Capivari-Monos, que inclusive dá nome à APA.
O território estende-se das colinas do planalto à linha de cumeada da Serra do Mar, com altitudes variando entre 747m às margens da represa Billings e 890m na Serra do Mar, no limite entre os municípios de São Paulo e Itanhaém. O clima é temperado e úmido, com média anual de 18ºC, podendo ser classificado como mesotérmico.
A diversidade de ambientes existentes na região proporciona uma variada oferta de hábitat e conseqüentemente de animais a estes relacionados. Em levantamentos realizados pela Divisão Técnica de Medicina Veterinária e Manejo da Fauna Silvestre da SVMA registrou-se a presença de fauna bastante significativa, com ocorrência de diversas espécies de anfíbios, répteis, aves e mamíferos, sendo que muitas encontram-se ameaçadas de extinção.
Dentre elas podemos destacar a ocorrência da onça-parda (Puma concolor capricorniensis), que foi registrada na Fazenda Capivari (bacia hidrográfica do Capivari-Monos), no Núcleo Curucutu do Parque Estadual da Serra do Mar e na Aldeia Indígena da Barragem. Além desta espécie, que hoje é o animal símbolo do Município de São Paulo, também foram registrados, no Núcleo Curucutu, o mono-carvoeiro (Brachyteles arachnoides), considerado o maior macaco das Américas, ameaçado de extinção na categoria Criticamente em Perigo, e a anta (Tapirus terrestris).
Segundo estimativa da SVMA, vivem atualmente cerca de 65 mil pessoas na APA CAPIVARI-MONOS. Esse crescimento – mais de 50% em menos de 10 anos, deve-se à expansão e adensamento do loteamento condomínio Vargem Grande, onde vivem, segundo a associação de moradores, 35 mil pessoas. O bairro da Barragem também vem se adensando significativamente, com a transformação dos loteamentos de chácaras em loteamentos urbanos. Na Barragem vivem hoje, segundo a associação de moradores, 20.000 pessoas.
A região possui indicadores sociais alarmantes, apresentando um dos mais baixos IDH do município. E neste sentido, o desafio consiste em aliar a proteção da biodiversidade e dos recursos naturais à melhoria da qualidade de vida da população local. O turismo, bem planejado, configura-se em uma alternativa econômica potencialmente capaz de gerar emprego e renda e contribuir para a proteção ambiental, o que explica a sua importância para a APA.
O acesso principal à APA é pelo município de São Paulo, via estrada de Parelheiros, seguindo pela estrada de Colônia, ou pela estrada de Marsilac. Outros acessos possíveis são via São Bernardo, pela rodovia dos Imigrantes e via Embú-Guaçu, pelo bairro de Cipó.